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Francisco Gomes // Edição de 30-10-2002

Um “passeio” pela arquitectura com Vítor Figueiredo, autor da ESTGAD

Vítor Figueiredo, autor do edifício da ESTGAD, esteve na passada sexta-feira nas Caldas da Rainha para mais uma conferência do ciclo “Traços de Cidade”.

O arquitecto não poupou elogios a esta iniciativa que considerou “um acontecimento em termos do que de melhor se faz na arquitectura”.

Também autor do Centro Pedagógico e Tecnológico de Aveiro, Vítor Figueiredo conduziu-nos no que ele preferiu designar de “passeio” pela arquitectura. Mais do que questões técnicas, falou de “uma atitude perante a arquitectura” que, segundo defende, “destina-se a pessoas” e, como tal, “é importante que as pessoas se sintam bem dentro dela”. No fundo, valoriza a dinâmica e as vivências que os espaços podem provocar em detrimento da estética e dos conceitos da moda. Por isso diz que “uma escola deve ser um sítio de alegria, mais do que ser arquitectonicamente o último grito da moda”.

Ao longo da conversa não escondeu a sua paixão por escadas nem o seu assumido recurso a elementos arquitectónicos que constituem memórias de todos nós. É o caso das escadas do Centro Pedagógico e Tecnológico de Aveiro, que nos remetem para as escadarias do mítico Cinema Éden, em Lisboa.

Mas Vítor Figueiredo não se ficou pelas considerações estéticas ou pelas influências do seu trabalho. Referiu-se igualmente aos processos de construção, aos materiais e ao papel fundamental da fiscalização.

Conforme defendeu, o papel de avaliação, fiscalização e acompanhamento de uma obra, por parte do arquitecto, é muito importante e “pode marcar a diferença”, afirmou. Porém, não excluiu os “donos de obra” deste tipo de responsabilidade. “Se da parte destes não houver sensibilidade e preocupação no que toca aos processos de construção e qualidade dos materiais, o arquitecto pouco pode fazer”.

Infelizmente, considera, foi isto que se passou com o edifício da ESTGAD, que Vítor Figueiredo diz ser a sua “Claudia Schiffer”, “um verdadeiro exercício de arquitectura”. Mas lamentou que, “a curto prazo venha a ter uma caríssima obra de recuperação”, não escondendo o arquitecto que se tratou de um “processo de construção difícil”.

Quando questionado sobre o pinhal e a eventualidade de se continuar a construir naquela área, Vítor Figueiredo é muito claro: “O pinhal deve ser mantido a todo o custo. O pinhal e o edifício constituem um todo”, defende.

Há o campus de Aveiro que é concentrado mas também há outras opções. Por exemplo, trazer algumas valências para dentro da cidade”, disse o autor da ESTGAD, numa linha totalmente oposta ao processo que está a decorrer em Coimbra e que foi explicado na conferência de Gonçalo Byrne.

Certas ou erradas, as ideias de Vítor Figueiredo contribuíram uma vez mais para a função mais importante da iniciativa “Traços de Cidade”: suscitar a discussão, a reflexão e a participação da comunidade.




 

 



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