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A maioria dos políticos caldenses acha importante que haja um debate alargado sobre o que se planeia fazer no edifício do antigo Hotel Lisbonense. Para além da importância que atribuem a esta infra-estrutura, as pessoas contactadas pelo nosso jornal, queixam-se da falta de informação que existe sobre o projecto para o local.
Já o presidente da Câmara considera que a questão já foi suficientemente debatida há 10 anos atrás e que agora o que há fazer é avançar com obra.
Fernando Costa (PSD) considera razoável o projecto da Lusointernacional para este edifício e por isso apoia o projecto. A Câmara aprovou na generalidade o projecto, embora salvaguardando algumas alterações que são secundadas pelo autarca. Na opinião do edil caldense, as ampliações sugeridas, com a construção de uma clínica e de um aparthotel, serão uma vantagem para a cidade. “Gostava que o projecto fosse para a frente”, diz Fernando Costa que é apologista da tese de se manter o edifício.
Já o presidente da Assembleia Municipal, Luís Ribeiro (PSD), tem ainda algumas dúvidas se vale a pena manter o edifício. “Para as pessoas da minha geração a memória colectiva existente sobre o Lisbonense é de uma coisa velha a cair aos bocados”, diz, embora lhe reconheça um valor histórico. “A nível de arquitectura já não tem valor”, afirma.
Luís Ribeiro acha que o projecto para o hotel deve ser acompanhado com muito cuidado, tendo em conta a importância da localização do edifício “que é um cartão de visita da cidade e está localizado numa zona ainda virgem”. O autarca defende as sugestões aprovadas na Assembleia Municipal e mostra-se preocupado também com a volumetria do projecto.
Proteger o espaço envolvente
A deputada municipal Ana Rebelo (PCP) faz parte da comissão da Assembleia que elaborou o parecer sobre o projecto posteriormente aprovado pelos deputados. É por isso uma das pessoas que melhor conhece o projecto e tem uma opinião favorável sobre ele, desde que tomadas em conta as sugestões aprovadas por unanimidade. “O projecto parece-me que preserva o edifício”, diz, ressalvando, no entanto, que o piso superior que existe no projecto iria desfigurar o edifício.
Ana Rebelo defende também que o espaço envolvente ao hotel deve-se manter tal como está, sem muito mais construção e nunca pegado às fachadas do edifício. A deputada defende que as obras avancem rapidamente, antes que o antigo hotel acabe por ruir, mas não deixa de considerar importante o debate alargado sobre esta questão.
O candidato à Câmara nas últimas eleições pela CDU, Joaquim Barros, não tem muita informação sobre o projecto para o Hotel Lisbonense e acha muito importante que o assunto seja debatido por todos. “O hotel é um símbolo das Caldas da Rainha, principalmente para as gerações mais antigas e por isso merece alguma discussão”, defende. Na sua opinião já se passou demasiado tempo sem uma solução para o local. Agora é também importante gerir a obra e resolver outras questões importantes naquela zona, como o trânsito e o estacionamento.
O vereador Delfim Azevedo (PS) não esteve presente na reunião de Câmara em que foi discutido este projecto e ainda não o conhece a fundo. Por isso, prefere ainda não fazer qualquer comentário.
O candidato do PP à Câmara nas últimas eleições autárquicas, Luís Cunha, diz estar completamente alheio a este assunto e por isso também não faz comentários.
O líder da concelhia do PP, Manuel Isaac, também sabe pouco sobre este processo. Embora estivesse a assistir à reunião da Assembleia Municipal em que foi aprovado o parecer da comissão de urbanismo, diz que ficou muito pouco elucidado sobre o projecto. “Há muita falta de informação. O que sei é o que estava no parecer na comissão e pelo que leio na Gazeta”, disse.
Manuel Isaac defende a discussão deste projecto, mas também não quer que este fique na gaveta sem resolução por questões mínimas. “É preferível fazer algo do que arrastar o processo”, comentou, salientando que o Hotel Lisbonense e a sua envolvente está cada vez a degradar-se. “A cidade precisa de um espaço como aquele a funcionar”, conclui.
Como membro da comissão de urbanismo, Faustinho Cunha (PSD) conheceu ao pormenor o projecto para o Lisbonense. Na sua opinião, este pode ser positivo, desde que cumpridas as “exigências” aprovadas por unanimidade por todos os membros da comissão. “O projecto precisa de ser alterado porque senão descaracteriza o Hotel Lisbonense”, afirma, embora diga que o programa na globalidade é bom. Em seu entender, a Câmara deve ter um especial cuidado na apreciação deste caso. O deputado relembra que o edifício do Hotel Lisbonense foi classificado pela Assembleia Municipal com sendo de interesse municipal.
Excesso de volumetria
Também preocupado com o que se possa fazer no edifício e na área envolvente está Mário Pacheco, deputado municipal do PS. O autarca considera este edifício como um “ex-libris” das Caldas. “A cidade é muito pobre em termos arquitectónicos e o Hotel Lisbonense sempre apareceu como uma das imagens ligadas às Caldas”, salienta, relembrando os postais em que o hotel sempre aparecia.
O deputado defende um estudo global para aquela, tendo em conta também o que a Misericórdia pretende fazer também no local. “Houve sempre muita indiferença da Câmara para esta zona”, comenta.
Do pouco que diz conhecer do projecto fica-lhe a ideia de que a volumetria projectada é demasiado grande para aquela zona e por isso tem bastantes reservas em relação ao projecto. Mário Pacheco receia também que o edifício possa servir “um processo de especulação imobiliária”, depois de já estar a obra feita.
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